sexta-feira, 10 de abril de 2009

ENTENDENDO A CRISE

ENTENDENDO A CRISE

A economia dos Estados Unidos --e por conseqüência o mercado global-- passa pela maior crise de crédito em 20 anos, desencadeada por uma outra crise, a dos empréstimos imobiliários "subprime", aqueles feitos a pessoas com histórico de inadimplência.
Após atingir um pico em 2006, os preços dos imóveis passaram a cair. Os juros do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso, a oferta começa a superar a demanda e desde então o que se viu foi uma espiral descendente no valor dos imóveis.
Como os empréstimos "subprime" embutem maior risco, eles têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos e bancos em busca de retornos melhores. Estes gestores, assim, ao comprar tais títulos das instituições que fizeram o primeiro empréstimo, permitem que um novo montante de dinheiro seja novamente emprestado, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Também interessado em lucrar, um segundo gestor pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerando uma cadeia de venda de títulos.
Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).
Depois que esses devedores "subprime" começaram a não honrar suas dívidas, o temor de calotes generalizados fez o dinheiro em circulação retrair no país como um todo, desacelerando a maior economia do planeta. Com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se compra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas.
No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo, por isso o pessimismo influencia os mercados globais.
Para tentar encerrar este ciclo de falta de dinheiro em circulação, os bancos centrais passaram a fazer injeções periódicas de dólares no mercado, leilões e empréstimos com juros baixos às instituições financeiras.
Além dos leilões bilionários, uma das principais medidas tomadas pelo Fed foi baixar drasticamente a taxa básica de juros, deixando o dinheiro mais barato. Mas nem mesmo isso conseguiu estimular os consumidores a continuar gastando, ou a ampliarem seus gastos --como se viu nas vendas no varejo nos EUA : em fevereiro, que caíram 0,6% em fevereiro.
A economia ainda sofreu outro abalo no mercado de trabalho: depois de eliminar 22 mil empregos em janeiro, a economia perdeu outros 63 mil no mês passado.
Como medida emergencial para evitar uma desaceleração ainda maior da economia --o que faz crescer o medo que o EUA caiam em recessão, já que 70% do PIB americano é movido pelo consumo--, o presidente americano, George W. Bush, sancionou no mês passado um pacote de estímulo que dará cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos.
O pacote prevê uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, terá direito a cheques de US$ 300. Mais de 130 milhões de pessoas serão beneficiadas.
No início deste mês, Bush chegou a pedir aos contribuintes que serão beneficiados com os cheques do pacote que gastem, e não guardem em poupanças, ou invistam e mesmo paguem dívidas.
Nesse contexto, bancos têm anunciado perdas bilionários e prejuízos, chegando a ser vendidos por preços baixíssimos a concorrentes.

Fonte:
FOLHA ON LINE

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